Se você tem plano de saúde coletivo (empresarial ou por adesão) e sentiu um aumento bem mais alto do que imaginava, saiba que esse tipo de contrato tem regras próprias — diferentes dos planos individuais — e isso costuma gerar bastante confusão entre os beneficiários.
Por que os planos coletivos reajustam de forma diferente
Os planos individuais têm o reajuste anual limitado e fiscalizado diretamente pela ANS, que divulga um percentual máximo todos os anos. Os planos coletivos (empresariais e por adesão), no entanto, não seguem esse teto — o reajuste é negociado entre a operadora e a empresa ou associação contratante, com base principalmente na chamada “sinistralidade”: quanto mais os beneficiários usaram o plano no período, maior tende a ser o reajuste.
Isso não significa, porém, que qualquer percentual pode ser aplicado livremente. A ANS exige que a metodologia de cálculo seja informada de forma transparente, e reajustes desproporcionais — muito acima da variação de custos do setor — podem ser questionados.
Sinais de que o reajuste pode estar fora do razoável
- O percentual aplicado é muito superior ao índice médio de reajuste de planos individuais no mesmo período.
- A operadora não apresenta, de forma clara, a metodologia usada para calcular a sinistralidade.
- Houve reajuste mesmo com baixa utilização do plano pelo grupo de beneficiários.
- O contrato coletivo tem poucos beneficiários (planos coletivos muito pequenos, às vezes, têm reajustes mais voláteis e menos justificados).
O que verificar no seu caso
- O demonstrativo de sinistralidade (a operadora deve fornecê-lo quando solicitado).
- O histórico de reajustes dos últimos anos, comparado à inflação do setor de saúde.
- Se o contrato prevê algum tipo de negociação ou possibilidade de contestação formal do índice aplicado.
Reajustes de plano coletivo costumam ser mais difíceis de entender à primeira vista, exatamente porque não seguem um teto público como os planos individuais. Por isso, uma análise específica do demonstrativo de sinistralidade e do histórico de reajustes costuma ser o caminho mais seguro para saber se há motivo para contestação.